São vicente de Paulo

São vicente de Paulo nasceu em 24 de abril de 1581, no seio de uma família de camponeses, na ciade de Pouy, região de Landes. (Observa-se no mapa da França, que a região de Landes fica ao sul e não muito longe da Espanha). Vicente de Paulo é o terceiro entre os seis filhos do casal João de Paulo e Bertranda de Moras.
Desde criança mostrou grande talento e revelou um espírito de oração, para dar a Cristo na pessoa dos probres, privava-se de tudo o quanto era estritamente necessário para viver.
Esta precoce inclinação em agradar a deus e os pequenos sacrifícios que fazia, mostrava indícios do alto grau de santidade que havia de chegar.
Nascido de camponeses, custeou seus estudos eclesiásticos dando aula. Por uma licença especial da Igreja é ordenado o Sacerdote mais jovem da história da Igreja com apenas 19 ano e em 1604 recebe o título de Bacharel em Teologia, na cidade de Toulouse.
Os primeiros anos de Sacerdócio de Vicente exigem dele muita dedicação, muita ação. Preso por piratas Turcos foi vendido como escravo em uma feira de Tunis. De volta a França em 1607, foi nomeado Capelão-Geral das Galés.
Toda a vida de vicente de Paulo foi voltada para os pobres. Mas Deus também reservara momentos da vida de vicente para morar com famílias ilustres e também lá ser instrumento últil nas mãos de Deus.
Em 1610, Vicente de Paulo é admitido entre os esmoleres (aquele que distribui as esmolas) da Rainha Margarida, esposa de Henrique IV. Sua atividade apostólica consiste em visitar todos os dias os doentes da caridade, e distribuir aos pobres partes das esmolas reais.
Em 1612, assume a paróqua rural de Clichy, nos arredores de Paris. Sua permanência ai será breve, apenas 18 meses, o tempo suficiente para Vicente retomar o contato com o mundo do qual viera, e se sentir á vontade com aquela gente do campo. A felicidade de conviver com aquele povo simples era tamanha que chegou a dizer: "Meus Deus! Como sou feliz por ter um povo tão bom, nem o Papa, nem o Cardeal, são felizes quanto eu".
Em 1617 funda Associaçãod e Mulheres, com o objetivo de realizar a caridade organizada, visitar, alimentar e prestar aos enfermos todos os cuidados indispensáveis. É a primeira fundação do Pe. Vicente que se dá o nome de Confraria da Caridade.
Ele funda diversas confrarias de caridade, sendo que as mesma possuem regulamentos e normas devidamente aprovadas pelo Clero, principalmente pelo Papa Urbano VII.
Destaca-se porém, a conferẽncia das terças-ferias, onde reunia vários padres e diáconos que mais tarde tornaram-se bispos. Todos aprenderam de Vicente: "Amar aos pobres é viver na simplicidade".
No dia 25 de Janeiro de 1617, festa da Conversão de São Paulo, na igreja de Flleville, o Pe. Vicente pregou como só os santos sabem pregar: de uma maneira tão convicente que o confessionário foi assediado de um número tão grade de cristãos, que outro confessores tiveram que ser chamados na cidade vizinhas.
Em 1618-1621 pregando nas Dioceses de Bauvais, Soissons e Lens, vendo a terrível situação da infância desvalida, funda estão as escolas de Artes e Ofícios, com o fim de amparar as crianças abandonadas, dando-lhes orientação moral, espiritual e ensinar-lhes uma provissão. Uma frase muito usada por Pe. Vicente aquecia o coração de todos:"MEUS FILHINHOS".
Em 1620, ao lado da caridade das Damas, Vicente institui a caridade dos homens para cuidar dos velhos, viúvas, órfãos, prisioneiros, multiplicando cada vez mais o número de adeptos. Dizia Vicente: "Não basta ter caridade no coração é nas palavras; ela deve manifestar-se nas ações; somente à medida que gera amor no coração, é perfeita e chega a ser fecunda".
Ele insistia antes de tudo sobre a confiança de Deus, o abandono às mãos da Provdência, a importância da caridade leal com o próximo.
Vicente sabia que a tarefa da Igreja não era somente cuidar do Espírito, tratava-se de promover o homem como um
todo. Em 1625 fundou a Congregação das Irmãs de Caridade, a Ordem dos Padres da Missão (Lazaritas) e os Irmãos Coadjutores.
Para essas missões, Vicente contava com o apoio financeiro dos ricos, dos quais também era amigo. Faz dos ricos, servidores dos pobres e diz esta frase sempre: "Os pobres são nossos mestres e senhores". São Vicente mobilizou todos os recursos humanos emateriais possíveis em socorro dos pobres, diza ele:
"Os pobres são meu tormento. Impedem-me de dormir."
Já com idade avançada, Vicente contrai nova e perigosa doença. Em 1655, um ano de fortes dores e sofrimento para Vicente, com muito esforço consegue se levantar do leito e com uma bengala consegue dar alguns passos. A partir de 1659, ele não pode mais sair da casa de são Lázaro, mais ainda não é o fim.
Dotado de indomável energia, Vicente cada manhã profere palestras a seus Discípulos, padres da missão, filhas da caridade, damas da caridade, membros da conferẽncia das terças-feiras. Transmite-lhes a essência da espiritualidade; preciosa herança, fruto de sua longa e inestimável esperiência. Na dor esforça-se por atenuar a realidade, sobra-lhe ainda disposição para acudir com palavras confortadoras os irmãos infermos.
Ele está perto dos 80 anos. Seu rosto está enrugado, suas costas encurvadas. Seus olhos conservam, todavia sua luminosidade e sua juventudade.
Todos os que se aproximam tẽm a impressão de que seu olhar penetra as consciências e vai ao fundo da alma; que a sua palavra toca, motiva, encoraja a amar. Suas pernas, que desde os tempos em que estivera acorrentado lhe havia sempre causando incomodo, dificilmente o carregam. Também fazia muitos meses que não montava a cavalo.
Para fazer suas viagens pelos campos aceitou carruagem que Madame d'Aquillon lhe mandara fazer. Mas, cada vez que encontrava um pobre enfermo na estrada o conduzia a seu lado. Cartas lhe chegavam de vários países. Ele passava horas do dia a redigir respostas sempre cheias de bom senso.
Apesar da avançada idade continua a levantar-se às 4 horas da manhã. Ele se contenta com cinco horas de sono. Cada dia ele consagra 4 horas à oração.
Ele sente melhor do que ninguém o quanto ás organizações por ele fundadas. tão belas e tão numerosas, tinha antes de tudo, necessidade do apoio de Deus, o Mestre das almas.
Agir, trabalhar, escrever e pregar, fazer bem, mas é somente a graça obtida através da oração e do sacrifício que converte os corações.
Para a família Vicentina, 1660 é um ano de despedidas. Vicente de Paulo perde a saúde e também os mais caros amigos. Em 14 de fevereiro morre Pe. Portail, primeiro companheiro da sua missões. em 15 de março morre Luzia de Marillac, co-fundadora da filhas da caridade. No dia 02 de Maio morre o Abade Luiz de Chandenir fill, discípulo das Conferências das Terças-feiras.
Pe. Vicente de Paulo snte suas forças se esgotarem, seus sofrimentos se tornaram agudos a pronto de arrancarem gemidos. Seus lábios pronunciam apenas uma expressão, que sempre pronunciara ao longo de sua vida: Oh! Senhor. Oh! Senhor.
No dia 25 de Setembro, Pe. Vicente nomeia o Pe. Almera Lono seus sucessor no governo geral das suas obras.
Em 25 de Setembro de 1660, antes que o sol se levante Vicente já havia pronunciado a última frase "tenho confiança". Bem vestido sentado numa poltrona, perto do fogo, entrega sua alma a Deus.
Por todas as ruas de Paris se houve está frase: "Perdemos nosso pai".
Não foi fácil ao Pe. Vicente vencer a mentalidade da época, mais a sua fé e antevisão do futuro eram bem mais lúcidos.
Vicente venceu os preconceitos e, um dia, num lirismo digno de uma poeta, ele disse às suas diletas filhas espirituais:
"As Irmãs de Caridade terão por mosteiros as casas dos pobres; Por cela, terão um quarto de aluguel; Por capela, a igreja paroquial; Por claustro, as ruas da cidade; Por ofício divino, o rosário e por véu a modéstia".
Hoje as Irmãs de Caridade e as Sociedades de São Vicente de Paulo são milhares em todo o mundo, um trabalho anônimo, sim, mas que muito bem faz ao coração de CRISTO.
"Muito bem, servo fiel, Venha alegrar-te com teu Senhor".
(Mt 25, 4).